sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quando há amizade!

Não há amizade...

  • quando os corações batem em rítimos diversos;
  • quando os olhos não conseguem olhar na mesma direção;
  • quando os sonhos não são compartilhados;
  • quando um coração não conhece, em liberdade, um outro coração.
A amizade...
  • é música que dá ritimo à vida e faz sentir-se em sintonia de afeto;
  • é luz que atrai o olhar na direção reta da felicidade e do encontro;
  • é gota de esperança que alimenta e fecunda os corações, enchendo-os de sonhos;
  • é desnudar-se de almas que se fazem transparentes uma à outra em diálogo pleno de encontro e de viva liberdade.
Pe. Edson Bantim
Roma-It, 21.10.2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pérolas de D. Hélder!!!



"Como gostaria de ser leal, discreto e silencioso igual a minha sombra" 
(5 de março de 1959)












Fotografia de Manuel Calado.


"Queria ser uma humilde poça d'água para poder refletir o céu!" (20 de abril de 1947)

Um sentido para cada coisa!

Para o homem que sabe "ler" tudo é símbolo: cada gesto, cada objeto, cada ambiente, cheiro, cor, forma etc, leva o homem à uma realidade que está para além do simples material. Para a inteira natureza a água é simplesmente água, o vento é só vento, o sol é sol, cada coisa é somente aquilo que manifesta visivelmente de si mesma, mas para o homem a água é fecundidade e abundância no campo, purificação e vida nova no templo, frescor e limpeza no banho, etc... Assim, para o homem tudo é referência, tudo é simbólico, tudo é sagrado!
Toda a criação se torna um livro que junto à Bíblia fala de Deus. A criação respira e conta a história de seu Criador.
Da criação ao Criador! Este é o caminho que cada ser humano deve trilhar para encontrar o sentido originário de cada coisa e a Imagem primordial refletida em seu ser desde a sua origem!
Pe. Edson Bantim
Roma-It, 28/06/2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Crescer de corpo e alma!

Quando ouvimos as expressões “um grande homem” ou “uma pessoa pequena”, não imaginamos uma pessoa de grande estatura, nossa mente não se dá um significado físico a estas expressões. Isto ocorre próprio porque existe uma grandeza e uma pequenez referida à dimensão incorpórea do ser humano. Este não cresce somente fisicamente, mas seu crescimento é medido sobretudo à nível espiritual e moral.
A grande busca de cada ser humano é aquela de crescer harmoniaosamente em corpo e alma. No Evangelho segundo Lucas, esta dimensão espiritual do crescimento vem chamado de «sabedoria e graça». De fato se diz que “Jesus crescia em idade, sabedoria e graça diante de Deus e dos homens” (cf. Lc 2,52), ou seja, em perfeita harmonia de corpo e alma.
O crescimento moral ou de caráter vem chamado comummente de «amadurecimento». Contribuem ao amadurecimento uma série de fatores relacionados seja à índole individual, seja ao ambiente social, familiar, etc com o qual a pessoa interage.
Sem a pretensão de fazer psicologismo ou longos discursos sobre a formação do caráter, gostaríamos sobretudo de dar algumas dicas que possam ajudar na identificação da própria maturidade, visto que consideramos que cada pessoa é in primis responsável pelo seu processo de crescimento pessoal e que desse crescimento depende a realização e a felicidade de cada pessoa a nível individual e social.
Elencamos algumas características que podem ajudar a avaliar os pontos fortes e frágeis de modo que se possa conservar aqueles positivos e amadurecer aqueles imaturos.
A pessoa madura geralmente consegue desenvolver uma realística capacidade de crer nas próprias potencialidas e naquelas dos outros;  É capaz de fazer escolhas autonomamente depois de uma clara e responsável análise de cada uma das opções, assumindo a responsabilidade das próprias decisões; Há um profundo conhecimento de si mesma, dos próprios valores e limites, aceitando a própria identidade, amando o próprio corpo e procurando desenvolver ao máximo as qualidades morais; Há uma capacidade de agir em plena liberdade, sem deixar-se condicionar por outras pessoas ou situações, nem mesmo pelos próprios impulsos, agindo de modo ponderado e são; Há a capacidade de estar consigo mesma sem medo da solidão, sem deixar contudo de ter um coração aberto à relações profundas, alicerçadas na confiança e no respeito recíprocos, para além da superficialidade; Há espírito criativo e não se deixa “enferrujar”, abrindo-se à possibilidade de aprender sempre novas coisas e partilhar as próprias; Há profunda harmonia consigo mesma, sabendo o sentido de cada coisa que é e que faz, dá sentido ao próprio existir em relação com Deus, consigo mesma e com os outros; Há a capacidade de agir de modo espontâneo, sem medo de expor as próprias convicções e de escutar as dos outros de modo respeitoso, sendo autêntica e sincera.
Já a pessoa imatura há baixa auto-estima e por isso é incapaz de crer em si mesma e nos outros; É insegura e tem medo de fazer escolhas, apelando sempre à opinião dos outros e ao mesmo tempo incapaz de confiar plenamente em alguém, perde-se entre mil opiniões sem consiguir jamais decidir qual caminho seguir; Não consegue identificar a si mesma posto que se encontra imersa em meio a milhares de personagens que deve representar para satisfazer aos outros; Grande dependência e incapacidade de assumir a responsabilidade pelo próprio destino, atribuindo sempre aos outros a culpa pelos próprios fracassos ou mesmo o mérito pelas próprias vitórias; Transforma a alegria de estar consigo mesma em solidão ou isolamento doentio e repleto de medo do confronto e de intimidade, não conseguindo desenvolver relações profundas e duradouras; Aridez intelectual e imaginativa, vivendo da imitação dos outros ou seguindo os modismos, sentindo-se sempre inadequada e vazia; Vive em constante ambiguidade de modo que não se sabe mais quando diz a verdade ou quando está representando; Habitua-se a fazer “jogo duplo” e agir de maneira falsa somente para manter a imagem que construiu para agradar a quem lhe interessa; Não consegue dar sentido à prpópria vida e vive a vida como o conjunto de vários momentos sem direção e vazios de convicções e de valores; Em estado grave alguém pode chegar ao limite de perder-se e cair no desespero e no sentimento de extremo abandono de Deus e dos outros.
O reconhecimento da própria fragilidade e dos próprios valores é um passo importante para o crescimento pessoal e é indicador de um profundo e sincero conhecimento de si mesmo e de liberdade em relação ao próprio futuro.
Não se pode esquecer que, obra-prima do Divino Criador, o homem é chamado a concluir em sua liberdade a obra iniciada por Deus, seguindo as intruções de sua Palavra e segundo a inteligência de seu Amor.
Em uma de suas meditações, Dom Hélder Câmara escreveu: “Quando passo diante dos homens poderosos, dos funcionários da polícia, rio feliz, porque ninguém pode descobrir o divino contrabando que levo dentro de mim; o invisível Passageiro, cuja presença é tão discreta que só o olhar dos anjos e dos homens de coração puro conseguem enxergar”. Descobre, pois o mistério do teu interior e vai em busca do mistério Deus escondido nos outros. Garimpa os corações duros e cobertos de pedra para descobrir a riqueza que Deus escondeu em seus sub-solos, ajoelha-te e contempla os corações límpidos e as almas elevadas para que possas sentir-te visitato por Deus e aprende que certas criaturas são como a cana-de-açúcar, mesmo colocadas na prensa e completamente pisoteadas e humilhadas, só sabem dar doçura. Desafio-te a fazer o mesmo!
Pe. Edson Bantim
Roma-It, 27/06/2011

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Deus é Cantador (Domingo da Santíssima Trindade)

Igreja da Transfiguração no Monte Tabor

Ao entardecer, o crepúsculo faz descer o seu véu colorido sobre o céu como que a preparar o repouso diário do astro rei. Nesta mesma hora, em um pequeno casebre, no tórrido sertão nordestino, um senhor de barbas brancas, rugas na testa e mãos calejadas toma rua rabeca, senta-se no alpendre da casa tendo ao redor  sua família e começa a entoar aquela velha canção que aprendeu ainda pequeno e que, mesmo antiga, nos ouvidos dos que ama parece ser sempre nova. Voz turva, dedilhado forte, expressões aparentemente rudes e um coração cheio de amor. Enquanto canta, escapa de seus olhos uma lágrima teimosa que desce queimando e seu rosto já marcado pelo calor do sol. Lá dentro seu coração, silencioso, guarda o motivo da lágrima, da canção, do olhar distante.
Ao contemplar esta cena penso em Deus. Vejo-o sentar-se na varanda de cada casa, a entoar velhas canções e a se emocionar com as lágrimas de seus filhos. Vejo Deus Conosco, a se fazer peregrino em nossos caminhos, a nos mostrar a via descendente que nos conduz à verdadeira grandeza, a sorrir com cada homem e mulher, com cada criança e ancião, a chorar em cada recanto do mundo com os que foram privados da tapera, da família, da canção e para quem o crepúsculo se reveste de tristeza. Então penso Deus em nós, que nos lança em direção dos pequenos, que nos dá a possibilidade de transformar-lhes a vida, que nos ensina sobre a canção, sobre o colorido do entardecer, sobre o Cantador sentado ao alpendre, sobre o peregrino que nos acompanha e sobre nós mesmos nesta história.
Deus é Cantador. Também ele no crepúsculo da história humana, quando as cores do entardecer dão lugar a escura noite, constrói sua tapera entre as nossas (Jo 1,14), senta-se (Jo 4,6b) no alpendre de nossos corações e nos ensina a canção do amor que liberta de toda escravidão. Enfim, quando cansados e fatigados pelas vicissitudes de nossa história e tremulam as velhas paredes de nossos casebres ele vem e faz morada em nós, nos faz ouvir a velha canção, admirar o entardecer, verter a lágrima que lava a alma e a compreender, por sua companhia, que Deus, para tanto amar, não podia ser só. Ele é Letra e Música e Cantador.
Pe. Edson Bantim
Roma-It, 16/06/2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Método para rezar com a Palavra de Deus

Entro em oração:
Pacificando-me:
·         Com um momento de silêncio;
·         Respirando lentamente;
·         Pensando que encontrarei o Senhor;
·         Pedindo perdão das ofenças cometidas e perdoando sinceramente os males que sofri.
Colocando-me na presença de Deus:
·         Faço o Sinal da Cruz (lentamente e meditando cada palavra);
·         Medito o Pai Nosso em silêncio, procurando encontrar-me com o olhar de Deus;
·         Faço um gesto de reverência;
·         Inicio a oração de joelhos (ou como me sinto melhor), pedindo ao Pai, no nome de Jesus, o Espírito Santo, a fim de que o meu desejo, a minha vontade, a minha inteligência e a minha memória sejam ordenados ao seu serviço e ao seu louvor.
Me recolho:
ü  Imaginando o ambiente em que ocorre a cena que lerei.
Peço ao Senhor aquilo que desejo:
ü  É o dom que aquele texto quer me conceder: corresponde a quanto Deus disse e fez naquele texto.
Medito e/o contemplo a cena:
ü  Lendo o texto lentamente, ponto por ponto;
ü  Sabendo que atrás de cada palavra está o Senhor que me fala;
ü  Usando: a) a memória para recordar; b) a inteligência para entender e aplicar à minha vida; c) a vontade para desejar, pedir, agradecer, amar, adorar.  
Importante: Não tenho pressa; nenhuma árvore produz frutos instantaneos; è importante sentir e saborear interiormente; repouso pazientemente at éque a Palavra de Deus fecunde a minha vida e produza fruto. Preciso confiar n’Aquele que me ama com amor infinito e fiel. Com o tempo meu coração começa  e encontrar inspiração, paz e consolação. Colherei os frutos quando, deixando de refletir sobre a Palavra de Deus, começarei a falar com Deus e a fazer de minha vida uma menage do amor de Deus.

Conclusão:
ü  Com um diálogo com Deus, de amigo para amigo, sobre aquilo que meditei.
ü  Termino rezando a Oração do Senhor;
ü  Saio lentamente da oração.
Importante: Uma oração profunda è aquela que é feita com muita suavidade. Que é capaz de sentir a brisa soave do amor de Deus que soa em nossos corações como hino de amor, como chuva fina que rega pouco a pouco o deserto de nossa vida.
Boa oração!
Pe. Edson Bantim
Roma-It, 15/06/2011

Amor e Matrimônio

C’est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante*(Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez dela tão importante)* (Exupéry, Le Petit Prince)

O Amor è a grande aventura da pessoa humana em sua busca de realização. É a prova mais evidente de que fomos criados para a comunhão e não para a solidão. É centelha divina no coração humano. É sinal da nossa filiação divina. O amor é o sentimento que exprime mais perfeitamente a relação entre Deus e o seu povo em toda a história da salvação, bem como é o critério de leitura e compreensão dos textos bíblicos que ilustram a história do Povo de Deus.
Como todos os sentimentos, o amor é involuntário. Não se escolhe amar, simplesmente acontece. Como eu não posso escolher e decidir se o sol vai nascer, se as estrelas vão brilhar esta noite, se a lua vai estar clara, se vai cair a chuva... enfim, como tudo que é natural e belo, o amor também vem de Deus. Mas, assim como posso escolher não tomar sol, não olhar as estrelas, ignorar a luz do luar, usar um guarda chuva para não se molhar, posso também escolher ignorar o amor. Ele porém sempre vai estar lá, pois não depende de minha vontade para existir, mas depende de minha vontade para realizar-se em minha vida. Assim, Deus nos dá o amor mas nós é que decidimos o que fazer com ele.
Como disse, o amor é uma grande aventura. E, como toda aventura, impõe riscos, causa medo, dá aquele friozinho na barriga... exige de nós: fé. Fé no amor, fé em quem se ama e fé em nós mesmos, na nossa capacidade de sair... pois o amor é antes de tudo, saída – ninguém vive aventuras ficando em casa. Devemos ser capazes de sair de nós mesmos e andar ao encontro do universo do outro, pois amar é encontrar-se.
O amor nos permite perceber aquele detalhe que torna cada pessoa diferente de todas as outras, especial, incrivelmente amável e desejável. E quando descobrimos algo assim, significa que já não moramos em nós mesmos, mas a nossa vida armou a sua tenda na vida de quem amamos. Para isso é preciso ser paciente, gastar tempo... cumprir todos os ritos preliminares... sim, porque o amor exige ritos... A imagem de Deus moldando o homem do barro e dando-lhe vida, é expressão sublime de quem ama. Quem ama molda em sua alma, com a argila de seus sentimentos e verdades profundas, a pessoa que ama, depois dá-lhe vida com o sopro fecundo de seu prórpio amar. Assim Deus os criou, à imagem de Deus os criou, homem e mulher os criou. E viu que era muito bom. (cf. Gn 1, 27.31).
A frase de Exupéry em “O Pequeno Príncipe”, (que pus no início do texto) expressa a necessidade do tempo e dos ritos para a realização do amor. Se quisermos viver intensamente o amor, é preciso estarmos dispostos a gastar tempo com quem se ama. Quando gastamos tempo, até mesmo olhando, lembrando a pessoa amada, vamos aos poucos descobrindo o seu valor especial para a nossa vida. Descobrimos o que a destingue de todas as outras pessoas e que nos dá razões para crer que nela encontramos o terreno fértil e único para plantar a nossa alma e realizar a nossa vida como vocação divina ao amor fecundo e eterno. “Que tem o teu amado mais que os outros, ó mais bela das mulheres? Que é o teu amado mais que os outros, para assim nos conjurares?” (Cântico dos Cânticos, 5,9).
Quando se descobre finalmente a resposta desta pergunta, está na hora de unir o nosso caminho ao caminho daquela(e) que amamos e por quem somos amados. Agora se deve caminhar juntos e o amor semeado em minha vida por Deus como pulsão, motivação, se torna VOCAÇÃO. Chamado à comunhão, ao testemunho. Este é talvez o passo mais importante, pois a partir de então, aquele amor escondido dentro de mim, que me realizava individualmente se torna grande demais para caber em mim e precisa derramar-se em outra vida que me acolhe e também me preenche de si mesmo. “Passei junto de ti e ti vi. Era o teu tempo, tempo de amores, e estendi a aba da minha capa sobre ti e ocultei a tua nudez; comprometi-me contigo por juramento e fiz aliança contigo e te tornaste minha”. (Ez 16, 8)
O relato do amor de Deus com o seu povo no livro do profeta Ezequiel demonstra a grandeza do amor de Deus, do qual o amor conjugal é imagem. Também o casal com a aba da capa (vida) devem ser capazes de esconder a nudez (solidão, infelicidade) um do outro, num encontro de aliança e compromisso incondicional e desinteressado. Para isso, Deus nos concedeu em Jesus, a graça sublime de que necessitamos para poder viver com fidelidade o amor–vocação ao qual nós fomos chamados em Sua infinita bondade, para que pudéssemos realizar a nossa felicidade e ao mesmo tempo dar testemunho de sua presença amorosa em nós.
Pe. Edson Bantim
Roma-It,15/06/2011